Vivemos uma crise hídrica preocupante: reservatórios vazios, chuvas inconstantes e insuficientes e uma demanda por água que não pára de crescer.
Os córregos, rios, lagoas e demais recursos hídricos disponíveis estão com a sua capacidade comprometida. Muitas vezes eles são verdadeiras descargas humanas, principalmente nos grandes centros urbanos. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio da Faculdade de Medicina, criou em 1997 o Projeto Manuelzão, com o objetivo de desenvolver atividades preventivas e de cuidado à saúde coletiva, principalmente nas cidades onde os estudantes do curso desenvolviam o internato rural.
Criado por professores da UFMG, o projeto nasceu da necessidade de ir além do diagnóstico médico. A ideia era desenvolver programas preventivos envolvendo questões ambientais, por entender que a qualidade de vida do indivíduo está intimamente relacionada com o meio ambiente em que vive.
O coroamento do trabalho do projeto começou em 2003, com a Expedição Manuelzão Desce o Rio das Velhas.
Surge então, a Meta 2010, navegar, nadar e pescar no Rio das Velhas em sua passagem na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em um esforço para com a causa, o Governo de Minas adotou o projeto como estruturador de políticas públicas de saneamento.
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O projeto já conseguiu bons resultados: segundo o site do Manuelzão, 60% da meta já foi atingida, graças aos esforços do Governo do Estado e das prefeituras que envolvem a bacia do Rio das Velhas. Em alguns trechos já é possível encontrar peixes e também nadar. Entretanto, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, os esforços ainda são insuficientes.
A cidade de Sete Lagoas, a 70 km da capital, é hoje, a maior poluidora do Rio das Velhas, como demonstra matéria da mídia local. (clique nas imagens para abrir as reportagens)
Fonte: Sete Dias
Fonte: SeteLagoas.com.br
O Rio das Velhas é o maior afluente em extensão do Rio São Francisco, um dos maiores rios do país.
Assistir a agonia de um gigante como o Manuelzão, é triste.
A prefeitura de Sete Lagoas ao longo dos anos, tem apresentado resultados tímidos de tratamento de água e esgoto, ficando muito aquém do necessário. Nossos córregos ainda estão poluídos, e com a atual seca, muitos deles são apenas canais de esgoto, como é o caso do Córrego do Diogo.
Poluição lançada no curso d'água do Córrego do Diogo (setas em vermelho)
Foto: http://capitulosl295.blogspot.com.br/2011/05/ha-muitas-formas-de-retribuir.html
Poluição lançada no curso d'água do Córrego do Diogo
Foto: http://jornalismonoprelo.blogspot.com.br/2010_03_01_archive.html
Se o descaso dos órgãos públicos, não só em Sete Lagoas, mas nas cidades da bacia do Velhas persistirem, a evolução na meta estabelecida pelo projeto será lenta, muito lenta.
É preciso ação.
Efetivar políticas públicas abrangentes e cumprir as legislações já vigentes no que diz respeito ao meio ambiente é o mínimo que se espera.
Caso contrário, estaremos assistindo a meta ser postergada e nunca alcançada. É uma opção por saúde coletiva e qualidade de vida.
A escolha é nossa
Saulo Geraldo Santana Moura Junior
Com informações:
http://www.manuelzao.ufmg.br/





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