sábado, 26 de dezembro de 2015

Não é jogo de futebol, mas as torcidas estão divididas


2014: Os presidenciáveis Dilma Rousseff e Aécio Neves
Foto: Exame.com


Em primeiro lugar, é necessário analisar o contexto. 

São treze anos de governo do PT. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, (clique aqui), os governos de Lula e Dilma, foram responsáveis por aumentar a renda dos mais pobres em 129%, entretanto, a matéria diz que o investimento caiu. Do outro lado, o modelo da social democracia, representado pelo PSDB e o senador Aécio Neves. Em uma crise de credibilidade, devido as denúncias da operação lava-jato, além do início de uma crise econômica e política, Dilma e PT já experimentavam em 2014 queda de popularidade. A escolhida do ex-presidente Lula nunca foi carismática como o seu antecessor. Não tem a mesma habilidade política e a oratória de  Aécio Neves, e desliza nos discursos fabricados pelos seus marqueteiros.

Aécio Neves foi educado para ser político. A habilidade que herdara de seu avô, Trancredo Neves, é acompanhada de uma facilidade em lhe dar com números, discursos também pré-fabricados, e uma oratória exemplar. Defende o seu choque de gestão em Minas que não foi tão aprovado pelos mineiros, já que perdeu as eleições presidenciáveis no estado. 

O modelo do PT está desgastado, mas defende teoricamente, a inclusão social, respeita e dá voz aos movimentos sociais. O programa de gestão da máquina pública dos tucanos, aparentemente eficiente, propõe o saneamento das contas públicas, quem sabe até um ajuste fiscal, mas com outro nome, além de medidas mais drásticas de austeridade.

O que teria feito Aécio Neves perder as eleições por tão pouco?!

No meu entendimento, as pessoas compraram o discurso de Dilma: a proposta de manutenção e ascensão da nova classe média, uma vez que a pirâmide social brasileira está se modificando. 

Fonte: IPEA/IBGE
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Contudo, a crise econômica e política pós eleições de 2014 prejudicaram as propostas da chamada "Pátria Educadora". O segundo mandato de Dilma Rousseff está se deteriorando, e quem a sustenta ainda são os movimentos sociais, parte do PMDB, e parcela da esquerda que ainda acredita no seu plano de governo. A presidente negou consideravelmente a sua agenda de propostas políticas defendidas durante a campanha. Os opositores utilizam a expressão "estelionato eleitoral".  Aécio Neves, após reconhecer a derrota (há dúvidas se aceitou de fato...), dizia ainda em novembro de 2014, que o país estaria dividido, e que a petista teria a tarefa árdua de governar um país rachado...

Eduardo Cunha é investigado na lava-jato
Foto: site o cafezinho


Tem razão, senador Aécio. É fácil de constatar essa sua máxima ao analisar as manifestações pró e contra o impeachment de Dilma. O perfil das pessoas que vão as ruas é muito claro: eleitores da direita, e eleitores da esquerda. Eleitores de Aécio, eleitores de Dilma. Absurdos são ouvidos dos dois lados, cartazes e expressões de "cidadania" são experimentados pelas duas torcidas. Assistimos a cenas lastimáveis. 

Em jogo, o futuro do país. 

Em cena, uma democracia ainda jovem, com instituições que ainda estão sendo consolidadas (vide Ministério Público e sua autonomia e efetivação pós Constituição Federal de 1988), e uma população que não tem cultura política, e que inclusive pensa que "política não se discute"...

Sim... As duas torcidas estão divididas. Tal como na eleição presidencial passada. O modelo econômico de Guido Mantega e dos neodesenvolvimentistas parecer estar desmoronando. A crise é real, não há como negar. Eles conseguiram frear a crise de 2008 que pegou Estados Unidos e União Européia em cheio. Agora não conseguem mais. Apesar de ser real, a crise também é mundial: basta ver os números da economia chinesa. A Grécia afunda e tenta ser salva pela União Européia. Os Estados Unidos apresentam números tímidos de melhora só agora. 

O jogo continua. O processo de impeachment pode ser um cartão vermelho ao PT, o que não abrirá espaço para o PSDB entrar em campo. Não agora. É preciso esperar 2018 e quem sabe os tucanos se aproximem da temática social, uma das bandeiras dos petistas e que de fato é necessária em um país com tantas desigualdades como Brasil. Importar modelos socio-econômicos não é o suficiente. É necessário ter sintonia com a realidade local.

É triste assistir a um jogo, de regras as vezes obscuras e táticas desleais, principalmente com o público pagante, o que mantém a República: os brasileiros. 

Sinceramente, espero que as torcidas se tornem una, já que a causa é a mesma - o nosso futuro. 


Boas festas!!!


Saulo Geraldo Santana Moura Junior

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